terça-feira, 11 de março de 2014

Crônicas do Cotidiano - Economia varzeana dos anos 60

Por Ivanei
Nossa economia naquela época girava em torno da agropecuária, era o feijão, farinha de mandioca, milho, fumo, mamona, licurí e a madeira, essa era extraída em nossa região e beneficiada pelos serradores em cima de estaleiros dentro da cidade, tinha um na Praça da Igreja.
A pecuária leiteira e de corte era a mais forte da região, fornecendo leite para os laticínios, a produção de queijo, requeijão e manteiga era vendida para as grandes cidades da Bahia e outra parte desta produção incluindo carne de sol era comercializada em São Paulo.
A comercialização de animais como gado, porco, bode, carneiro, galinha, peru e outros acontecia na feira livre. Os porcos eram adquiridos pelos moradores para serem criados no quintal das suas casas, engordava para o abate obtendo uma renda extra. Boa parte dessas aves e ovos de galinha era vendida em Feira de Santana.

A produção de feijão, farinha de mandioca, milho, fumo, mamona e licurí era vendida aos atacadistas da cidade que revendia para outros estados como, por exemplo: O fumo era vendido para a Souza Cruz em Salvador e outra parte era beneficiada aqui para fabricação do fumo de corda para ser vendido na feira livre. O licurí e a mamona eram vendidos em grande escala, toda semana saia dos depósitos de Várzea do Poço um média de 30 toneladas para as Indústrias Coelhos em Salvador e Juazeiro – Bahia, para fabricação de sabonetes finos e especiais da Gessy Lever em São Paulo.

Outra cultura que era cultivada em nosso munícipio o sisal, desfibrado no mato, através de motor a diesel secada em varal, as fibras eram vendidas em Salvador, outra partes era passada para a fabricação artesanal de cordas na região. Essas cordas eram usadas para laços, arreios e amarrar cargas nos caminhões.  
Quando chegava a época do plantio, os agricultores recompravam as sementes selecionadas para plantar e também para o consumo humano e de alguns animais como aves e porcos. Naquela época não se dava ração ao gado.
Existia grande comércio entre cavalos jegues e burros, falando desses animais, grande parte desses produtos era transportado por tropas de burros, por ser animais mais resistentes, essas tropas era formada em média por 50 animais, depois de carregados tomavam a estrada, um desses animais viajava na frente com um peitoral de couro com vários chocalhos que de longe se ouvia o som, o que era mais interessante, é que esse animal que viajava na frente não deixava os outros passar até chegar o destino que as vezes levava dias. Era fascinante olhar uma tropa de burros passar.
Nomes dos comerciantes da época e seus respectivos negócios:
Felipe Franco – Mamona e licurí.
Ariosto - Cerealista em geral.
João Ferreira Franco - Mamona e licurí.
Nabor Lima Rios - Cerealista em geral.
Edésio Antunes da Silva – Licurí, mamona e sisal.
Antônio Benedito da Silva – Cerealista, mamona, licurí, fumo e sisal.
João Cunhão – Fumo de corda e em folha.

Várzea do Poço era grande polo produtivo, bons tempos aqueles.  

Nilton Ivanei Gomes dos Santos, nascido em 1952 em Salvador, mas criado em Várzea do Poço – Bahia. 
Historiador que vivencia os movimentos culturais, esportivos e políticos dessa cidade
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